A construção civil e as chuvas

As chuvas são consideradas fator de extrema importância para o cumprimento dos prazos de execução de um empreendimento. E para lidar com elas não há segredo, é preciso planejamento.

“Ações preventivas ajudam a evitar que o andamento da obra seja prejudicado e a garantir que os imóveis sejam entregues no prazo”. Evite que entre os meses de dezembro e fevereiro as obras estejam nas fases de terraplenagem, fundação e fachada, devido às históricas chuvas de verão.

Algumas atividades, como contenção e impermeabilização externa, são impossíveis de serem realizadas com chuva. “Se o período de chuvas durar um mês, o atraso é de um mês no serviço”.
“Já as chuvas com vento podem atrasar ainda mais a obra, por afetarem serviços como fixação de balancins e estabilidade de alvenarias recém-executadas”.

Uma adequação de equipe, para reduzir o atraso, às vezes é necessária e exige também um replanejamento do cronograma físico e da avaliação da produtividade de mão de obra. “É indicado sempre haver um plano de recuperação pré-estabelecido para possíveis desvios de prazo”.

Veja a seguir, os entraves que a chuva implica nos diversos serviços realizados na obra e como o planejamento pode ajudar a evitar atrasos no cronograma.

Preparação do terreno
Atividades mais comuns: escavações, aterros, terraplenagem; execução de estacas de concreto moldadas no local, cravação de estacas metálicas e pré-moldadas de concreto.

Problemas: chuvas moderadas e fortes que impeçam os equipamentos de exercerem suas funções ou coloquem os profissionais envolvidos em risco, podem paralisar esses serviços. Até mesmo simples garoas, se prolongadas, podem afetar a fase de terraplenagem, já que a remoção de terra fica impedida de ser realizada.

Solução: como nessa fase inicial é muito complicado remanejar o equipamento ou mão de obra para outras atividades, a solução é planejar com cuidado para que essa etapa não ocorra em períodos chuvosos. O planejamento de início de obras em períodos de chuvas menos intensas é essencial para que todas as atividades sejam executadas dentro de seus respectivos prazos.

Estrutura e alvenaria
Atividades mais comuns: corte e dobra de aço estrutural; confecção e montagem de fôrmas de vigas e pilares; concretagem; levantamento da alvenaria externa; levantamento da alvenaria interna.

Problemas: as chuvas podem atrapalhar, e muito, essa fase. No caso da concretagem, o concreto tende a perder resistência quando água é adicionada fora da especificação. Além disso, o fluxo intenso de água pode ameaçar a segurança da operação. Em relação à alvenaria externa, as chuvas atrapalham a execução, pois a argamassa de assentamento perde a consistência e resistência. Nas obras em alvenaria estrutural, não é possível executar paredes externas ou internas sob chuva forte.

Solução: é preciso verificar constantemente a previsão do tempo ao agendar as datas de concretagem. Nas obras em alvenaria estrutural, nos dias em que a previsão do tempo indicar chuva, o ideal é que a equipe seja remanejada para outras tarefas, como para a execução de alvenaria de vedação nos pavimentos inferiores. No caso da equipe de estrutura, os carpinteiros acabam se envolvendo com desenformas e melhorando as proteções de segurança da obra. Já os armadores podem adiantar a montagem de vigas e pilares para depois enviarem as peças aos próximos pavimentos que terão execução de estrutura. No caso da alvenaria estrutural, é possível remanejar a equipe para execução de alvenaria de vedação nos pavimentos inferiores, por exemplo.

Instalações prediais e caixilhos
Atividades mais comuns: instalação de janelas e portas; instalação de fios e cabos; execução de tubulações hidráulicas e pontos de consumo.
Problemas: esses serviços também são afetados pelas chuvas, mas em menor escala, pois geralmente são executados em áreas já cobertas. Apenas quando houver execução de hidráulica e elétrica em área externa, eles não poderão ser feitos por conta das chuvas.

Solução: para proteger as obras das chuvas é importante antecipar o máximo possível a colocação dos caixilhos em obra, a execução dos telhados e, também, a conclusão das prumadas de hidráulica. Mas também é preciso ter cuidado com a sequência planejada para as atividades. Para instalar as esquadrias externas, por exemplo, é necessário que a fachada tenha seu revestimento externo concluído.

Fachada e áreas externas
Atividades mais comuns: aplicação de argamassa de revestimento de fachada; execução de impermeabilização de lajes; execução de revestimentos de áreas comuns; execução de jardins; acabamento de quadras e piscinas.

Problemas: o acabamento de fachada e a impermeabilização externa são impossíveis de serem realizados embaixo de chuva. Para que esta fase não seja tão afetada é importante analisar no cronograma se há possibilidade de executar essas atividades fora do período mais crítico. Quando isso não for possível, deve-se prever um período de execução mais prolongado em função dos atrasos que ocorrerão por causa das chuvas.

Solução: serviços das áreas comuns, como colocação de piso externo e montagem de churrasqueira, podem ser viabilizados com chuvas fracas. Entretanto, é possível remanejar algumas das equipes. As de acabamentos externos podem ser deslocadas para a parte interna em dias de chuva, evitando que haja mão de obra ociosa e, até mesmo, paralisação das atividades. Em relação aos serviços da área comum, em períodos de chuvas fortes, procura-se remanejar a equipe para execução de serviços internos.

By Equipe de Obras